sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O Replicante...

Fui surpreendido ontem com um comentário aqui no blog.

"Anônimo disse...
Existe sempre um momento que precisamos descansar a mente. A tristeza só não deve superar os momentos de alegria. Te vi hoje andando pela praia mas tive medo de me aproximar.Tenho saudades suas todos os dias, de nossas conversas e do seu sorriso lindo, do café forte que você faz e da manhã em que acordei do seu lado.
Ainda te adoro
Ass. Você sabe quem."


Não posso deixar este comentário sem resposta e resolvi dividir com vocês caros leitores a réplica:

Sim, sei quem você é.

Me perguntei durante vários meses o que tinha acontecido a sua pessoa. Quando se deu nossa última conversa, você iria embora, dar aulas em algum lugar distante, ou foi essa sua desculpa. Fiquei triste durante algum tempo, triste não, devastado, sumiu do meu semblante aquela luz que as pessoas notavam, aquele viço de noite bem vivida e dos meus olhos secaram o brilho ingênuo que sua presença colocava neles. Mas isto foi a algum tempo, como você bem sabe, assim julgo, não tenho vocação para o pranto, o viço se refez, a luz se acendeu e os olhos voltaram a brilhar por tesouros mais novos e descobertas mais insólitas. Vivemos algo muito bonito, sempre serei grato. Mas deu-se o fim inevitável.

Não tenho mais saudades, de nossas conversas não sobrou eco, apenas silêncio, o sorriso... este continua aqui. Ainda sei fazer aquele café forte que você tanto gostava, e sobre as manhãs, estas nunca saberá, já que escolheu não acordar mais do meu lado.

Continue evitando-me, fuja de minha presença, deve ser difícil confrontar a culpa e as mentiras.
Enquanto a vida, esta anda bem, sem você.

Ass. Nivaldo Vasconcelos

1 Mês!!!!!


1 mês de Blog, que venham muitos outros, vem sendo uma maravilha ter este espaço para escrever tudo o que me der na telha, a companhia de vocês é muito importante e muito especial, a vocês que sempre vêm aqui muito obrigado e saúde!!!!!!!!
Um brinde a nós.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A tarde.




Mais fotos desta tarde...

...

Entre um café e outro, traço desenhos sem nexo.

Sei lá, me bateu uma tristeza estranha, as palavras não saem como eu quero, tudo que escrevo sai torto e roto.

Amanhã quero estar solar!

Ps. Foto tirada esta tarde na Ponta verde.

Do Sopro...


O vento canta aqui na minha janela, paro para ouvir o assovio constante, o Ar sabe mesmo fazer bela sinfonia!


Canta rodopiando.


O que canta o vento? Que histórias ele conta em seu sopro, será ele difamador elegante das vidas que ele percorre? Ou será professor de registros diários?

Imagino que ouço a música do menino e sua pipa, fazendo trato com a brisa para que ela, risonha, leve seu brinquedo ao céu, para que aquele menino, por alguns minutos, tenha a ilusão de voar. As vezes o vento conta de suas iras, que arrancou, em forma de furacão, árvores e casas. E canta melodiosamente os dias de tempestade, em frases musicais diz como ele molhou as vidraças e a terra.

É assim que ouço o Sopro, com ouvidos imaginários...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Palavrório



Não sou um cara de amores possíveis.


Eu ando apaixonado por palavras!

Anseio a noite, espero o escrito, o deslizar dos verbos no meu palato já acostumado a lê-lo em voz alta, o som reverbera pela catedral de minha boca, projetada por arquitetos dionísicos muito preocupados com a acústica, cada frase um toque... As palavras deslizam por minha pele que é página em branco esperando a impressão dos caracteres pecaminosos, o sinal gráfico beija minha orelha, o A penetra minha boca e sinto falta do Z.

O parágrafo me faz sufocar, esta ausência me desespera, mas logo volta e escreve delícias em mim.

Repito a leitura e gozo sonetos.

Eu já disse que sou um cara de amores impossíveis?

Eu ando apaixonado por suas palavras.



Escrevo isso ao som gostoso de “Céu – Vagarosa” com “Bubuia” se repetindo freneticamente...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Limpeza...


Dia de arrumação.
Esfregar os pratos sujos com detergente aroma de limão, esponja áspera para os pratos, macia para os copos, palha de aço para as panelas. Enquanto organizo meu mundo exterior, aqui dentro, meu mundo interior volta para o lugar, meus pensamentos se tornam claros e areados.
Varrer o chão, sentimentos ultrapassados varridos para fora, poeira sendo levantada e jogada fora, assim como meus medos e minha ansiedade, arejando os quartos, arejo minha mente. A cada roupa dobrada, desfazendo a pilha caótica de calças, camisas e shorts, catalogo meus pensamentos mais preciosos, coloco para lavar as peças de vestir e as idéias por vir.
Os livros são limpos com carinho, são alimento, os filmes empilhados com esmero, o pasto de minha mente deve ser conservado com cuidado. Passo pano limpo no chão, misturo a água um pouco de alfazema, para espantar os maus fluidos que por ventura meu mundo captou e em um “ritual de banimento” limpo casa e mente.
Reciclo o lixo, águo as plantas e propicio vida, assim, as raízes dos meus pensamentos, que pressentindo este gesto, vivas, colorem minha cabeça.
Hoje eu e minha casa cheiramos a limpo.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Hoje meu ego está em festa!

Quando liguei o computador esta manhã tive uma surpresa imensa, na lista dos blogs que eu sigo, uma atualização revelava meu nome! O post da minha amiga Bela! Lisonjeado é pouco para definir meu estado, estava nas nuvens! Amo esta pessoa linda, uma jornalista “porreta”, dona de um humor bem parecido com o meu, também uma escorpiana, também alagoana e uma amiga.
Esta semana me deparei com outro post de um amigo, feito para mim, fiquei muito emocionado, este post terá resposta, espero apenas a hora certa! O que eu quero dizer, trocando em miúdos, é que estas demonstrações nos fazem tão bem, é muito bom se sentir querido e amado, não conseguiria viver uma vida sem estas demonstrações ou sem devolvê-las a altura!
Quem chegou aqui pelo post da Bela, um aviso, tenha paciência, não é assim tão fácil perceber as particularidades descritas pela grande escritora do Blog 3x30, então sugiro que sente confortavelmente e leia esse blog feito com muito carinho, abra a mente e tente se conectar, se não gostar me perdoe, mas eu aceito as rejeições! Sugiro que leiam o post que fiz para a “culpada” de você estar aqui, se chama "As reticências. (...)"
E quem veio apenas por que gosta do que eu escrevo, se divertem, ou pensam, obrigado, as suas visitas me alegram e são demonstrações diárias de afeto. Não esqueçam de comentar quando tiverem um tempinho, é sempre bom lê-los.
Continuem chegando, sejam bem vindos, passeiem pelo que eu chamo de meu!
Hoje eu estou podendo, e estou adorando!

domingo, 25 de outubro de 2009

A confissão de domingo.




Tomo um banho, água gelada refrescando minha cabeça, abro os olhos embaixo do chuveiro, tenho raiva de nunca poder reproduzir aquela imagem para que eu pudesse mostrá-la para todo mundo. Sempre que fotografo alguma coisa, vem em minha mente, por que não sai da maneira que eu vejo? Tenho inveja dos olhos humanos, da mente humana, mas admiro os que não se rendem a dura verdade que é: A reprodução nunca superará a experiência. Esses artistas lutam para descrever suas sensações, dividir com o mundo sua visão, é lindo quando você lê algo que te arrepia, te faz fechar os olhos e imaginar, é tocante percorrer um par de linhas, e achar ali, bem ali, a frase mais bela que você já leu. Então o artista se supera e demonstra que ele, o ser que mais luta para reproduzir sua forma de pensar, pode criar uma experiência! Se tornar um semeador...


Escrevo por uma necessidade gritante de me expressar, causar algo nas pessoas, me pergunto se é importante, relevante. Meus pensamentos e escritos são realmente dignos de serem compartilhados, conhecidos pelas pessoas? Vivo num mundo de pessoas desinteressantes, tenho horror ao desinteressante. Ser comum é algo que não me amedronta! Comum pode ser interessante, frustrante mesmo é se deparar com alguém oco, vazio. Tenho medo de ser oco, tenho pesadelos com o vazio, medo da reverberação de futilidades, conheço isso em mim, sinto o vazio constantemente, me esforço para preencher-me, talvez seja por isso que me entupo das coisas, cigarro,livros, comida, filmes, álcool, gente... quero tudo, quero todas as experiências, essa fome que me ataca é de vida. Quase nunca me senti morto, das vezes que morri a ressurreição sempre foi mais marcante. Escrevo então para aliviar todas estas dúvidas, a respeito de tudo que foi escrito, de tudo que foi lido.
Meu caso de amor com o pensamento, meu amante mais constante, leva-me ao limite da passionalidade.

Esta é uma confissão para olhos desconhecidos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Pequeno Conto - A Maçã.



Ele retirou a comida da sacola e a dispôs com todo cuidado na mesa, retirou primeiro a maçã, depois uma faca, com um pano limpo, alvejado e dobrado, limpou primeiro a fruta, depois a faca, com todo cuidado.


Olhou-me com estranheza e falou, “Sabia que a fruta do pecado original era um figo? Não uma maçã.” Não, eu não sabia, mas nada respondi, apenas olhei sério para seu rosto. Não me interessava particularidades bíblicas, nem as que incluíam distorções da tal “palavra”. “ouvi uma vez que o mundo acaba em 2015. Sabia?” Não, não sabia novamente, desta vez deixei escapar um leve suspiro de tédio, ele começou a cortar a maçã, fez um corte vertical e a partiu ao meio, levantou uma banda para mim, “parece com o quê?” havia malícia no seu rosto. Eu apenas encarei a fruta cortada, a natureza, ou Deus, sabia ser bem indecente, ali, no meio da esfera comestível, entre a carne macia e branca vislumbrei uma forma feminina, um sexo escancarado e convidativo. Ele, lascivamente lambeu o orifício e depois riu, senti nojo, mas não desviei o olhar. “Está excitada?” Não, não estava. Estava ali apenas para resolver nossa pendência, “Então? Quanto você me deve?” perguntou ele, “Alguns cruzeiros e uns livros que você deixou lá em casa. Você ainda os quer?”, disse isso com tranqüilidade embutida, “Claro! Por que não os trouxe?”, “Não sabia se você ainda os queria, e são pesados, mas podemos pegá-los lá em casa.” Ele terminou a maçã, ambos quietos, o único som era de sua mastigação, da suculência da maçã sendo triturada pela boca, eu acompanhava o ritmo da mandíbula, como um mímico quase o imitei, saboreando, imaginariamente, o alimento que ele devorava, quando terminou, simplesmente levantou e saiu em direção a rua, eu o segui, sem pressa, ele a frente pelas ruas, eu atrás, como sempre estivera, sua sombra, seu cachorro, sua experiência, ele ria para os transeuntes com simpatia, flertava com as meninas que cruzavam seu caminho, era um ser fácil de gostar, magnético como um corpo celeste, mas por dentro, sujo como um bueiro.

Chegamos no meu apartamento, ele entrou primeiro, ele subiu pelo elevador, eu pelas escadas, quando alcancei meu andar, ele já estava parado na porta, obstruindo a passagem, seu corpo grudado na porta, precisei encostar nele para encaixar a chave na fechadura, ele apenas me encarava com seus olhos cafajestes, a porta abriu e seu corpo foi lançado para frente, fui até o quarto, o lugar onde tantas vezes fizemos sexo e suados, trocamos juras infindas, ele ficou na sala, “mudou a decoração né?” Sim, mudei, não agüentaria ver as coisas iguais como quando ele estava lá.

Tirei a roupa e nua me dirigi a sala, ele riu e me afastou com um leve empurrão, eu novamente me aproximei, contorcendo-me contra o seu corpo, ele tirou a roupa rendido, me deitei no sofá me oferecendo inteira a ele, abrindo as pernas tal qual a maçã. Enquanto ele me comia, falava no meu ouvido “Era isso que você queria não é mesmo? Não consegue ficar sem isso aqui não é?”, sujo, descarado, amado, ele a verdadeira fruta do pecado original, eu a Eva sucumbida.

Me entregava despudoradamente enquanto ele devorava-me como uma maçã.



Do fim...




Faz o que quer,


Sai agora.

Prenda-se neste mundo feito sob medida

ao caráter que tens.

Sai agora,

Faz o que quer,

Singra a estrada sem olhar para trás,

Sem reavaliar sua insana direção,

repita seus erros por covardia.

Sai,

Agora faz o que quer.

Antes não tinha tempo para você,

medo de sua companhia,

agora tens medo de mim.

Espelho de tuas trapaças,

carranca para teus medos,

evangelizador das boas novas da carne.

Quer, sai

Faz

Me chama de rei da falsidade,

pinta-me de piche e diz que eu não sou seu,

Despreze a alegria do meu lado.

Não relembre o tato,

Deguste a solidão, refaça a tristeza.

Eu

Aqui,

Saio e agora faço o que quero sem você.



Todo final é difícil
Hoje eu faço um balanço de todos os relacionamentos, ou “quase relacionamentos”, que vi irem embora, não me penalizo, não choro mais, não quero entender.

Sempre buscamos a explicação exata das coisas, na verdade, procuramos a negação da verdade. Acaba por que tem que acabar. Nenhuma resposta, explicação, ou desculpa aliviará sua dor.

As pessoas ficam, vão, a vontade humana não é refreada, não é anestesiada por muito tempo, não é moldada como barro. A chance de ser feliz não é única, não é só. Deixar para trás é dom, não maldade, permitir-se a receber este dom, ou aplicá-lo é caro, é rico! Não as amarras,não ao luto de amores perdidos, porque isto é sinônimo de amores achados, estar só é se permitir a encontrar novas coisas. Não acredite na solidão.

Esta poesia acima foi escrita em um momento de separação, mesmo gostando muito dela (a falta de modéstia pode parecer ridícula, mas mais ridículo para mim, é a falsa modéstia) não deixo de notar o tanto de “amargo” nestas linhas, não me retraí um segundo em culpar. Mas deixo para trás, eu refiz a vida.

A poesia continua.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O Hino (segundo um bêbado) Nacional!

video

"Em terceiro, ó liberdade... Rai o sujo, fai o sujo eternamente..."

Grande interpretação!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Um post a (para) três!


Este post começa com um cigarro aceso, cachorros excitados com minha volta, e um mala amigo do meu lado, verificando o meu processo criativo (na verdade ele quer saber se eu corto e colo textos do Google, ou o segredo do meu dito e mínimo sucesso.). Mas não, este post não começa só com cigarros, cachorros e mala, começa com uma profunda vontade de contar minha noite incrível.
Hoje ocorreu o 2º Encontro Intergalático Mensal dos Blogueiros da Patota Reunida. Um encontro criado para celebrar a amizade, a festa do reencontro e claro nossas ótimas idéias, em tese as temos!
Tudo começou com uma guia sendo autorizada no meu plano de saúde, ando numa peregrinação pró saúde, meu celular tocou, era ele, Bisk8, recém chegado de Sampa, a terra da garoa, “E aí Niva? Bora se encontrar?” então fui, chegou ele no seu bisk8móvel vermelho como o inferno e então tudo descambou, foi marcado ali o 2º encontro... A outra integrante, Clarissa B., foi acionada, fugiu da faculdade, solicitamente e muito feliz, se encontrou conosco para um lanche rápido (que acabou não sendo tão rápido assim) e sugerir idéias que incluíssem bebida e cigarro (sugestão de Bisk8), detalhe, ela não fuma nem bebe. Fomos em alegre sintonia até um barzinho, chamado simpaticamente de CARANGUEJOLA, uma mistura de bar nordestino com uma pitada de Espanha! Entre conversas engraçadas, ironias e bebidas, com laptop em punho a ATA foi escrita!
Nosso testemunho foi lançado no Blogverso! Com direito a ataque de caranguejos e tudo mais!
Ps. Não sei a opinião dos outros envolvidos, mas, para mim, estes encontros recheados de humor, alegria e descontração fazem um dia melhor.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Uma estranha particularidade N°2 - Gafes



Eu tenho a péssima mania de cometer gafes!
Sou um mestre na arte de pagar micos! Eu sei que parecerá uma anedota, bem que eu gostaria, mas não é!!!
O pai de um amigo de escola faleceu, recebi um telefonema com a péssima notícia e sai apressado para o velório, afinal, ele provavelmente precisaria de uma mão amiga naquela hora, antes eu tivesse ficado onde estava. No meio do caminho achei outros amigos da escola, juntei a procissão e rumamos altivos de encontro a terrível situação que é a morte de um ente querido. Durante o caminho, a cada passo dado, eu repetia mentalmente o que deveria dizer a viúva e ao seu filho, meu amigo, e era algo como, “Meus pêsames.”, “sinto muito a sua perda.”, “Estou aqui para o que der e vier.”.
Chegamos, fiz a minha melhor cara de luto e adentrei no velório, o caixão estava na sala, aberto, as pessoas choravam, ao lado do caixão estava a viúva, completamente arrasada, eu cruzei a sala e fui em sua direção, obstinado, e o que eu fiz... Na hora não consegui conter o nervosismo, antes tivesse ficado parado, ali na soleira da porta e continuado com minha cara de panaca, mas não, corajosamente continuei e então as palavras sumiram repentinamente, a única coisa que consegui fazer foi sorrir (como alguém sorri numa hora dessas?) e simplesmente ao me aproximar da viúva dei dois beijinhos na sua face e com tom casual falei “Oi tudo bom? COMO É QUE VOCÊ ESTA?”... Minha gente! Até hoje não consigo esquecer a vergonha pintando minha cara de vermelho, ela olhou para mim atônita, ficou completamente sem fala, ela só fez um gesto nervoso com a cabeça, e pediu amparo ao parente mais próximo que a abraçou consolando seu choro, e como se não bastasse, fui até o caixão, olhei o falecido, e não me contive, tive uma crise de riso, quando fico nervoso ou tenso desato a rir. Retirei-me as pressas, nem vi meu amigo, mas com certeza ele me perdoou a ausência, até hoje cruzo com sua mãe... Obviamente não nos falamos.
Outra boa no meu repertório é a mania desgraçada de reparar nas coisas mais constrangedoras para os outros ou dizer asneiras impensadas, como: “Você ta grávida?”, “(secamente) Não.” Ou “quantos anos? 55?!!! Nossa está conservada!”, tem coisa pior do que chamar alguém de conservada? Você naturalmente insinua que a pessoa é uma múmia ou algo assim, nunca digam isso, pode até parecer simpático, mas não é. O pior (ou melhor) é que isto sai com uma espontaneidade tão sincera que faz com que algumas pessoas me perdoem no ato. E realmente não percebo, só depois de tê-lo feito. Estou melhor, venho participando do MA, dos Malas Anônimos, e a cada dia venho aprendendo a ser menos inconveniente.
Rezem por mim!

Yorick Descontraído Recomenda...


Ela chega a um hotel em Viena, está acompanhando seu marido, um famoso maestro que vem para a cidade para um concerto, na recepção do hotel ela se depara com o porteiro da noite, o ex oficial da SS nazista, o homem que treze anos atrás, quando ela era prisioneira de um campo de concentração, foi seu torturador e também seu amante.

Este é o mote de “o porteiro da noite”, um filme de Liliana Cavani lançado em 1974 e até hoje, em minha opinião, uma das mais belas e bizarras histórias de amor, este filme incrível, além de imortalizar a beleza de Charlotte Rampling, conseguir criar imagens fetichistas únicas, descreve com perfeição e lirismo a relação mais doentia e sadomasoquista já vista em um filme. A cena em que Charlotte está vestida como uma oficial nazista seminua e canta a música de “O anjo azul” (como diriam alguns) imitando a LOLA de Marlene Dietrich, é magnífica! O filme é um desfile de personagens doentios, anti-heróis cheios de falhas, mulheres e homens pervertidos pelo amor e pela loucura. Eu não consigo não me emocionar com o amor da ex-prisioneira com o ex-torturador, é impressionante como este conto perverso consegue extrair tanto romantismo e absurdo erotismo.



Um filme que você pode amar ou odiar, mas com certeza é um filme para ser visto!

Procure e bom filme.















segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Quando meus olhos se dilataram eu vi!


Hoje tive uma experiência sensorial! Fiz consulta oftalmológica, a médica pingou uma gota de seu colírio e vinte minutos depois...BUM! Dilatação completa da minha pupila, após averiguarmos que tenho uma visão perfeita, fui jogado no mundo com minha nova visão, uma visão dilatada!
Tudo ganhou novas cores, parecia que os ambientes estavam tomados por uma bruma espectral, as luzes dos faróis se espalhavam de uma maneira transcendental, percebi como a visão é um sentido importante, agora entendo quando as pessoas choram depois de verem que a cirurgia de miopia funciona! Enxergar bem é uma dádiva.
Já tentei expandir minha mente de várias formas, espiritualmente, quando da vez que participei de um ritual xamânico em uma tenda do suor e jejuei por dois dias, tentei expandir minha mente com narcóticos, Santo Daime, Oaska, LSD, todos eles me trouxeram uma iluminação imediata, porém não utilizável para minha vida. Talvez esta experiência “dilatadora” de hoje também não permaneça em meus dias, mas com certeza fez diferença no meu hoje, ficar sem enxergar direito me causou um processo catártico, questionei sobre pontos de vista, sobre a deturpação das coisas e a maneira de enxergar os outros, precisei da ajuda das pessoas para ler o letreiro luminoso do ônibus, consegui imaginar como uma pessoa que não enxerga bem vê as coisas, foi retirada de mim, momentaneamente, a clareza da minha visão. Senti-me vulnerável e estranhamente gostei desta experiência, gostei quando minha visão começou lentamente a voltar ao normal e então fui valorizando a cada momento, a cada coisa já não embaçada, a vista saudável que tenho.
Sou um observador, munido de poderosos instrumentos, os meus olhos. E hoje, esses olhos foram iluminados pela dilatação!

domingo, 18 de outubro de 2009

Como eu curei a ressaca!




Domingão, sol e ressaca...
Tudo que eu queria pela manhã eram apenas meu café forte e descanso!
No sábado, fiz um tour alcoólico na casa de amigos queridos, entre cervejas, dominó, e alguns jogos de cartas com peculiares nomes, como os infames “Bucho inchado” e “Tô cagado”, me descobri bêbado. Minha noite ditosa acabou aproximadamente as 3:00h da madrugada.
Então fui despertado hoje cedo por minha amiga Mila, “Nivaldo, acorde, vamos levar meus sobrinhos para casa...”, a tal casa, fica exatamente a 128 km de Maceió, no coração do agreste alagoano, a cidade do fumo, Arapiraca! Imaginem minha alegria e motivação! Honestamente eu merecia tudo, menos isso: crianças (amo crianças! Porém com ressaca e confinado em um espaço pequeno, não estaria pleno de minhas faculdades mentais!) viajem e calor, Meu Deus, misericórdia!
A ressaca cruel acabava com minha cabeça, meus olhos vermelhos e meu estômago, mas corajoso, comi algo rapidamente, engoli dois comprimidos analgésicos, e fui, rumo ao sol, um tanto a contragosto, para dizer o mínimo.
Quando saímos da garagem do prédio, percebi, instantaneamente, que foi a melhor coisa que havia feito, o céu estava lindo! Saquei a máquina da mochila, retirei bravamente os óculos escuros, e aproveitei cada segundo da aventura matutina...
E foi assim, minha pequena viajem de domingo, uma surpresa atrás da outra, as vezes precisamos apenas abrir mão do “café forte” e do “descanso” e curtir o céu claro de um dia de domingo!
Ps. Essas fotos foram tiradas durante a viajem!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Espelho, espelho meu, existe primata no mundo mais sexy do que eu?


O humano é um ser surpreendente, pode escrever poesias imortais, levantar cidades gigantescas, mirar as estrelas e ganhar o espaço. Construímos até uma bomba atômica, vejam só! Mas também somos animais, ou melhor, primatas. Desculpem-me os fundamentalistas, mas afirmar que vocês existem por causa do lance Adão e Eva... bem,sem querer duvidar, claro, quem sou eu, mas está completamente fora de questão neste post específico; quero falar de biologia, não de mitologia, então faz de conta que vocês não nasceram, nem existem... eu estou falando para pessoas como eu, que acreditam que evoluíram, se não deles, de algo bem semelhante a eles, dos primos macacos. E os que se ofendem com isso, proponho uma melhor observação do objeto em questão, falo muito sério, vai ao Google, olha umas fotos, vocês se surpreenderão com a semelhança entre você e um gorila. Eu amo macacos, acho-os lindos, o chimpanzé é ágil, olhos belíssimos, aquelas mãos humanas! Existe animal mais incrível que um gorila? Porém, disparadamente, o Homem é o ser mais sexy de todos os primatas!
Admitir que somos animais seria tão mais divertido, claro que somos animais que desenvolveram racionalidade, me questiono se isso foi mesmo necessário... Mas esta obsessão minha sobre nascimento de moral, genealogia do mal e afins, ficam para outra oportunidade, não podemos nos desviar, o foco aqui é outro... se assumíssemos o papel de animais, apenas admiti-lo, muita coisa seria mais simples, animais pensam para o grupo, pensam em sobrevivência, e sobrevivência é prolongar a existência, prolongar a existência é, resumindo tudo a grossos modos, SEXO!
Obviamente o ser humano descobriu que sexo não serve só para reprodução! Pode ser também diversão! E como alguns bem sabem, frustração! Fatos: Mulheres (ou pessoas femininas... Ponho este adendo, por saber que as coisas são mais amplas do que isso.) geralmente buscam comportamentos dominantes, homens (ou pessoas masculinas)fortes e robustos, que são capazes de demonstrações físicas, que causem tensão no ambiente, é de onde vem aquela expressão, a garotinha gosta de bad boys! Mulher só gosta de canalha! Bichinha gosta de bofão! Homens gostam de mulheres aparentemente submissas, que necessitem de sua ajuda e os faça sentir-se úteis.
Naturalmente as pessoas aprenderam a buscar outras coisas além de atração física e sexo despudorado sem finalidade alguma, mas não fujamos da realidade, somos atraídos pelo nosso oposto, gostamos de ser entendidos, toda mulher quer ser cuidada em algum momento, quer ter uma pegada firme na hora que ela precise, um homem que a mantenha segura, toda mulher quer ser venerada secretamente (isso vale para os gays mais femininos também), e todo cara, quer se sentir forte, líder da matilha, o macho dominante, o reprodutor, o big boss da parada. A nossa selva é a cidade de pedra; mulheres, assumam os postos de fêmeas, sejam sim adoradas, sejam receptivas, abertas, deixem os homens lutarem por vocês, finjam que eles são os maiorais, que mandam na relação! Homens, sejam bravos, fisicamente ativos, demonstrem sem medo que são os colhões de ouro do pedaço, tomem a iniciativa, façam elas se sentirem maravilhosas e desejadas. Paremos com as idiotas desculpas para sermos infelizes no amor, sermos infelizes no sexo, estamos presos a uma sociedade que nega a própria natureza, idealizando figuras impossíveis para maioria viva, não é toda mulher que será parecida com Giselle, nem todo homem, Gianecchini! Nem toda relação será igual a de fulana de tal com sicrano da novela das oito! Permita-se ao real, ao que é vivo, só se engana quem quer ser enganado, siga mais seus instintos.
Olha! Somos os primatas mais sexy* do mundo! Vamos aproveitar!

*sexies, segundo a gramática inglesa, sorry people!

Diabólica(zinha)


Acordei com instinto de escrever, estava com um post quase pronto, mais um falando sobre a tal profundidade humana, estanquei, as palavras não mais se completavam, perdi o ritmo, o que fiz: salvei o arquivo e fui navegar um pouco, ver as notícias do belo mundo, e o que encontro! Uma pérola!


Não consegui parar de rir por alguns minutos com a incongruência do fato, do absurdo, imaginei a cena de várias formas, imaginei a garotinha vestida de rosa, laços nos cabelos, meia branca, sapatos infantis, tramando a depredação com sua mais nova boneca Barbie, a Barbie Vândala (nos sonhos de criança da pequena demônia, suas bonecas ganham vida e juntas, uma célula terrorista, saem pelo mundo num conversível rosa destruindo tudo e todos que ousam ultrapassar seus caminhos). Em outro devaneio imagino a garotinha sentada em frente de sua casa, e enquanto sua mãe inglesa prepara o chá das cinco, ela pensa, “Hum! Alguns minutos livre! O que fazer? Brincar de pular corda? Assistir desenhos? Não! Destruir carros!” e aí vai, a pequena notável saltitando com seus dois aninhos, acabar com os carros da vizinhança. Imagine esta garota aos 4 anos, será mestra do crime inglês!


Manchete: Garota de 4 anos rouba banco e sequestra metrô em Londres!


Não sei o que se passa na cabeça dos adultos deste belo mundo. Como é possível um adulto abrir um inquérito contra uma garota de apenas dois anos? Vendo a foto do carro imagino como esta criança de dois anos, conseguiu fazer tamanho estrago! Vai ver ela estava treinando seus supersocos, a pequena menina superpoderosa!
Crianças danadas de dois anos do mundo levantem-se e unidos depredem o mundo com a doce inocência, ele está deveras precisado!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Auto-Recorte


Este sou eu recolhendo recortes de mim mesmo.
Dragão tatuado na perna, gayatri mantra no braço esquerdo, retalhos de um menino que fui um dia, desfragmentando ilusões, desmaterializando estações, vou, sigo reto pelo mundo de meu deus!
Caminhadas longas com mochilão nas costas, cerveja na beira da praia, conversas filosóficas, papos bestas, um verdinho de vez em quando, natureza é bom! Sol de manhã, lua de noitinha, esse é o testamento de meus dias, observador anônimo de histórias anônimas, homem livro de páginas inacabadas, preto de alma, riso largo, sacanagens no pé do ouvido. Mau humor matutino, cabeceira cheia, livros não lidos, filmes assistidos, músicas na vitrola antiga de meu pai, cães brincando, gatos arranhando, lata batendo, samba na vitrola antiga de meu pai.
Cigarrinho, café puro sem açúcar e canela em pau, suco de cajá, mel para adoçar, retratos espalhados na parede, beijos na chuva, boca entreaberta, orelha sem furos, sinal na palma da mão, tênis velho amado, bicicleta com pneu murcho, imprestável. Amigos a disposição, a disposição dos amigos, amores antigos bem esquecidos, promessas de amores futuros esperados, manhã sem nome, noite sem estrelas, calor infernal.
Três pulinhos para encontrar, sal grosso para espantar, Santo Antônio para casar, Santa Maria Mãe de Deus rogai por nós, pecador, salmos na ponta da língua, iconoclasta pervertido, cínico, doce e salgado. Aprende meu corpo, frase adorada de um livro lido, inglês tosco, garrafa de água gelada, toalha vermelha, lençóis brancos, travesseiro fofo, torcicolo, gastrite nervosa.
Gargalhadas pela madrugada, imã, mona lisa, tantra que será aprendido, pranayama pela manhã, exercícios adiados, cabelos pretos, olhos de índio, medo de lugares apertados, amor as alturas, queda livre, vôo.
Este sou eu recolhendo recortes de mim mesmo...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Enquete nada original...


Acho engraçado como este assunto sempre vem a baila quando o assunto é falar sobre o sexo feminino, então fiz a famosa pergunta a uma amiga, “o que as mulheres realmente fazem no banheiro, além de suas necessidades fisiológicas claro, sobre o quê elas falam umas para as outras?”, fiz esta pergunta com verdadeira intenção de saber a resposta real, ela olhou bem no fundo dos meus olhos e disse enigmática, “nada de mais, conversamos amenidades.”, enfática! Não acreditei! Como podem, seres tão “organizados”, uma sociedade munida de “talentos tão peculiares”, conversarem amenidades em um banheiro? Quando mulheres se juntam, algo mágico e interessante há de haver (ou perverso). Minha amiga só atiçou mais minha curiosidade nada ORIGINAL.


Posso dizer que nós homens não conversamos em banheiro, não nos permitimos nem olhar de lado, não gostaríamos de ser mal interpretados, ou sermos pegos olhando o “coleguinha” do outro, mesmo que acidentalmente, se alguma conversa tiver que surgir, a cartilha do homem recomenda: Mulher e Futebol! E entre homens não existe esse negócio de chamar amigo para ir ao banheiro. Rola muita sacanagem em banheiros masculinos sim, já presenciei cenas muito picantes e constrangedoras, mas como um bom escorpiano com ascendente em leão, acho tudo relacionado a sexo natural! Mas não falamos, homens têm a sombra do machismo muito viva dentro deles. Não quero generalizar, mas este é o famoso post “guerra dos sexos”! um antagonismo é necessário, vamos partir do princípio da diferença.


Portanto gostaria que vocês mulheres me respondessem, que solucionassem este mistério da humanidade de uma vez por todas e vocês homens, o que vocês acham que elas fazem no bendito banheiro? Espero que esta velha especulação possa trazer novas e engraçadas elucidações.
Espero suas respostas ansiosamente.

O velho e inesquecível Tempo.


Meu sonho de criança era ser negro! Queria acordar e ver minha pele ganhar o tom dos guerreiros Massai, acreditei em papai Noel, sonhei em ser que nem o Indiana Jones, caçando tesouros e enfrentando bandidos caricatos, o máximo de maldade que conhecia naquele tempo.
Minha brincadeira favorita era “brincar de filme”, onde eu criava um cenário mítico, desenvolvia os personagens; um guerreiro, um feiticeiro maligno e uma donzela em perigo, papéis que eram distribuídos entre minha irmã e amigos, o feiticeiro sempre ficou de escanteio, eu, um ator polivalente naquela época, dava cabo de uma dupla interpretação! E quão grandiosos éramos! Nem tínhamos roteiros, tudo salpicava das nossas mentes repletas de aventuras nunca vividas, eram bons tempos, os tempos de capa-espada, do Conan alugado no pré-histórico formato VHS, do ET voando na bicicleta, dos Goonies ao som histérico da velha Cyndi Lauper, do saudoso e magnífico Sítio do Pica-Pau amarelo, já reprisado na minha época!
Mas o tempo veio (“Compositor de destinos; Tambor de todos os ritmos...”, nas belas palavras de um Caetano antigo) e foi comendo aos poucos as lembranças de menino, eu ainda me agarrei fortemente a detalhes sólidos, tentei esconder do tempo alguns detalhes, mas Ele me alcançou e com cara de repreensão os “tomou” todos, mas não sabia ele que outra entidade, tão antiga e poderosa quanto ele, já havia me marcado como dele, a Memória, então mesmo desbotando todos meus preciosos pertences, não conseguiu apagá-los completamente.
Ainda lembro minha coleção de livros da Série Vaga-Lume, livros que li, reli e depois li de novo, como se antecipasse um eminente esquecimento, dos gibis aguardados com apreensão desesperada todos os meses, dos brinquedos e jogos, das brincadeiras de detetive, ainda lembro, maldição! Lembrar e ter saudade.
As vezes sou abruptamente abduzido pelas férias na fazenda, as tentativas sempre frustradas de fazer uma tão sonhada casa na árvore, do jardim da minha avó, que por vezes, se transformava em uma floresta tropical ao meu bel prazer, lembro dos monstros risíveis da minha infância. De outros monstros não tão risíveis.
Também recordo do pior de meus velhos dias, lembro de algumas brigas por falta de dinheiro nos idos de uns bancos falidos, lembro das filas para comprar carne, das brigas no colégio, lembro da primeira nota baixa por ter escrito “DEUZ” na prova de religião, lembro do palhaço em um circo do interior, em como ele demonstrou seu truque sujo para uma platéia de crianças, comigo incluído, lembro do xixi na cama, da catapora, do acidente do meu irmão enquanto brincávamos, me senti tão culpado. Antes, lembro do nascimento de minha irmã e de como eu chorei de ciúmes, lembro do ar condicionado sendo ligado toda vez que eu fazia uma traquinagem, lembro das hediondas aulas de karatê.



Toda infância guarda um punhal afiado escondido pela plumagem colorida da lembrança, eu, por ser um ser da memória, sou constantemente ferido.



Mas me recuso esquecer!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Uma Estranha Particularidade Nº 1 - Obrigado


Nota: A partir de hoje escreverei uma vez por semana algo que acho peculiar no meu comportamento, será a série “Uma estranha particularidade N° x”... Aí vai a primeira estranheza...

Uma estranha particularidade N°1

Eu tenho a estranha mania de agradecer quando termino de transar.
Não consigo evitar, um sussurrado obrigado sai da minha boca sempre que o gozo estremece minhas pernas e me lança exausto contra o colchão (quando tem um, não sou dogmático.) este agradecimento tem a característica da sinceridade, adoro perder as pernas, poderia até agradecer um milênio por uma boa e velha noite de amor suado, porém, agradeço até quando o sexo é o pior que eu já encontrei, aquele em que todo gesto é totalmente irritante, qualquer posição é desconfortável e os dentes insistem em se chocar na hora do tão esperado beijo, claro que nesses casos o agradecimento sai mais como um “obrigado, mas não quero mais desse bolo não ta?”. Agradeço até um sexo oral feito as pressas!


Acho que sou um homem grato!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

As Reticências (...)

Poderia começar este post com a mais famosa frase “e eles foram felizes para sempre.”
Mas seria mentira.
Onde que alguém teria plena felicidade? Shangrilá? Eldorado? Ou no paraíso dos amantes eternos? Existe mesmo uma felicidade plena e constante? Acredito que por esperarmos por esta constante plenitude é que naturalmente nos enredamos na tal frustração que assola homens e mulheres modernos (sim leitoras, pode não parecer, mas homens também sofrem! E vocês leitores, admitam isso.).
A famosa e infame frase que termina todos os contos de fadas esconde um terrível signo, as reticências (...), este tão amado e usado sinal gráfico, dentre outras coisas, serve para a “Omissão de trechos de uma citação. Nas citações, as reticências são empregadas para indicar trechos omitidos desnecessários ao contexto.”, pois é, o que essas ordinárias reticências subentendidas querem esconder é que o tempo pode destruir o furor amoroso, acabar com a idealizada felicidade. Os contos são perfeitos por que são finitos. A Branca de Neve não teve tempo de ver seu belo príncipe engordar de tanto beber cerveja na taverna do reino e se interessar pelas criadas, nem o príncipe viu a sua amada esposa tendo três filhos barulhentos que tiravam seu juízo, a transformando numa bomba relógio ambulante. Nenhum dos mocinhos dos contos de fadas viram a outra face do amor, aquela que pode nos destruir, a infelicidade do amor. Alguns têm medo desta “infelicidade” e mal sabem eles que esta é a mais valorosa experiência de todas. Para se conviver é preciso desenvolver tolerância, é preciso os calos, a felicidade constante é ilusória, uma sabotadora vil, pronta para arrastá-lo, viciá-lo e tirá-lo do caminho verdadeiro. Ninguém será feliz para sempre, em alguns momentos serão infelizes juntos, mas também terão grandes momentos de alegria, sexo, carinho, mas não virão sem brigas, discordâncias ou raiva.
Estamos acostumados a facilidade, vivemos na armadilha da perfeição, talvez por termos sido criados com contos de fadas repletos de amores de mentirinha. Os casamentos e relacionamentos em geral, já vêm com a sombra do divórcio e da separação, a maioria de nós prefere buscar outra pessoa, dando as costas para o que poderia ser, e como “serial lovers” buscamos apenas o que há de bom no amor. Poucos têm a coragem de tentar sempre com a mesma pessoa, e são esses os verdadeiros merecedores da dádiva de amar, e de tanto tentar, vivem uma relação longínqua, não que seja necessária, mas com certeza, idealizada!
Uma amiga minha assinou seus papéis de divórcio esta semana, é para ela que eu escrevo este post, ela é uma dessas pessoas que tenta sobreviver ao amor, uma merecedora, aquela que tem vocação. Infelizmente encontrou no seu caminho um cara (ou seria melhor dizer, um escroto) que não conseguiu driblar as armadilhas da convivência, neste caso, o que eu posso dizer é que ela teve sorte, teve a chance de sair pelo mundo e escrever um novo conto. A princesa divorciada pegou o cavalo branco e partiu na sua jornada, agora sabendo que não haveria o fatídico “felizes para sempre”, agora a princesa lutaria pelo “felizes apenas o suficiente”, pronta para viver amor de verdade. Eu torço pela bela princesa, quero que ela encontre a vida que lhe cabe, o amor verdadeiro, o príncipe deliciosamente imperfeito, porém dela, que brigue muito e logo depois faça as pazes, se irrite bastante para que depois possa rir de seu descontrole momentâneo, e também faça amor, e tenha filhos, ame e seja amada, e seja feliz, mas apenas o suficiente, pois ela aguenta as armadilhas do verdadeiro e real amor!

sábado, 10 de outubro de 2009

L ponto!


Unhas com cores de passado e mente com cores visionárias de um futuro que só ela percebe;
É aquela, que na manga batida com melancia, sugere uma hortelã. Cativa voluntária em uma arena preenchida com vários expectadores sedentos por um pedaço qualquer, domina feras com sua voz propagada com microfonia.
Sorriso amplo e metalizado, olhos de ressaca que nem uma Capitu pós moderna, cabelos que descem em anéis, alheios aos encantos que distribuem, “anjo” que propaga erotismo, nada enrustido.
Ela diz ter alma de índio, dispensa suas cobertas com facilidade, para eu, que conjugo verbo, acho que ela tem alma de menina...
O que esconde este L maiúsculo Ponto? L de lascívia, de labiríntica, de linda?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Musicadas


A música está essencialmente ligada à palavra e é um demarcador da memória de um povo. Canções podem contar sobre sentimentos de uma época, sobre o povo de um lugar e são constantemente bordadas e enriquecidas com detalhes, sejam eles rítmicos ou literários.
A música está em constante mudança, mas guarda em sua medula, a função de registro.
Os povos do deserto do Saara, os Tuaregs, têm uma grande relação com a música, principalmente as mulheres, na verdade, são elas o pilar desta sociedade matriarcal, uma das poucas existentes neste mundo de sociedades que giram em torno da figura masculina. São as mulheres Tuaregs que escolhem seus maridos, não precisam usar o véu, são elas as donas de suas tendas, do rebanho, só é dado a elas o direito do divórcio e principalmente, são delas o dever e privilégio de tocar instrumentos e cantar canções antigas, alguns homens podem fazer uso da arte de cantar e tocar, mas tradicionalmente é delas a honra de “cantadoras” do Saara. O Imzad, por exemplo, um típico instrumento que lembra uma mistura de bandolim com violino, só pode ser tocado por mulheres. Nas músicas de casamento do deserto, a canção cantada para os noivos é o diálogo da sogra que diz ao futuro marido, recomendações de como deve tratar sua preciosa filha, não a deixando pegar água no poço, alimentar os animais, mandando-o presenteá-la com jóias e muitos criados, e estranhamente, ou naturalmente (não sei), eles se deliciam com esta submissão ao mais “delicado” ser já visto na face da terra que é a mulher.
As mulheres do deserto fazem alguns de seus instrumentos adaptando utensílios de sua cozinha, imagino eu que assim o fazem, porque entendem que a música alimenta tanto quanto a comida, e orgulhosas, enquanto esticam a pele do tambor, que elas chamam de Tendé, fazem questão de mostrar que são as maiores estrelas daquele lugar, e como emissárias do desejo, gritando cânticos, com suas línguas a tremular, fazendo um dos sons mais característicos de uma etnia, fazem os homens dançarem e se exibirem, é através dessas palmas e canções, das batidas de um tambor, híbrido de panela com couro curtido, que essas mulheres imortalizam o tempo e repetem um dos rituais mais antigos do mundo. A despeito da austeridade dos povos Saarianos, essas músicas têm uma conotação de liberação sexual, e é dado, neste momento, aos homens, o status de objetos de desejo, como uma estranha subversão (para nós ocidentais claro!) dos papéis do gênero. Nesta sociedade, o concurso de beleza elege o homem mais belo, e com uma delicadeza sem igual, eles se enfeitam de vivas cores e dançam, com sorrisos escancarados mostrando exageradamente os dentes e abrindo bem os olhos, tudo ritmado pelos cantos femininos.
Os nômades do deserto repudiam a moradia fixa, acreditam que a casa é o túmulo dos vivos, eles privilegiam o que é fácil de transportar, outro motivo dos utensílios-instrumentos, e acreditam que o Saara é o jardim de Alá, que tirou tudo de lá para poder andar em paz... São esses os temas das suas canções, e com elas são embalados os nascimentos de novos e abnegados moradores do austero deserto, como também servem de trilha sonora para as noites de amor sob o céu deste lugar espantoso.
No deserto, a música é viva na boca de suas mulheres.
“Os três Chás;
O primeiro é amargo como o amor;
O segundo é doce como o amor,
E o terceiro, só é água com açúcar...”

Ditado Tuareg cantado por suas mulheres.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Trabalho



*NOTA: Este post é um pequeno conto que eu sempre quis contar, sou eu tentando escrever uma fábula!



Toda manhã vagava pelas ruas o mendigo.
Seu andar cambaleante, perecido com os dos bêbados, compassado ao seu jeito, desenhava um trajeto oculto, que só ele, o mendigo, entendia. Usava trapos como qualquer andarilho que se prezasse, na mão esquerda, uma sacola de pano balançava fazendo um som tilintante, na direita, levava uma vara longa, esculpida toscamente com alguma faca cega.
O conteúdo desta sacola virou mito pela boca dos meninos que imaginavam artefatos fúnebres habitando o interior do saco. Ninguém saberia dizer ao certo o que realmente lá existia.
A vara dava a ele um ar de profeta nauseabundo, porque este era o cheiro do mendigo, e o usava como armadura contra os perigos e mal fazeres.
Todos os dias eram a mesma coisa na vida do mendigo, ele percorria as ruas, cambaleando, sacola na mão, vara na outra, o cheiro nauseabundo... era uma visão o mendigo! As vezes, brandia a vara aos céus, como maça de guerra, com fúria repentina; deixava cair a sacola e com ira, ralhava, inteligível, contra o sol que ardia, seu trabalho divino começava. As pessoas tinham medo do mendigo, o que ele entendia, afinal, esse era um dos requisitos de seu trabalho ancestral, exigiam dele ferocidade, misantropia e desapego. Era iluminado o mendigo.
As mesmas pessoas que o temiam e que apressadas saiam do seu caminho, não se sabe se por mesmerismo, ou por puro senso de dever, deixavam na porta comida, cobertores e água, tudo o que o mendigo necessitava para continuar vivo. Sim, doavam, porque o mendigo orgulhoso não pedia, sequer agradecia, esse era o pagamento justo pelo seu importante trabalho!
Assim se passava o dia. Ralhando para o sol, acuando-o para o horizonte poente, ia o mendigo destemido, seguindo até um mirante, uma depressão natural no coração da cidade ainda tomada pelo sol, o deus odiado pelo sujo mendigo. E então longe dos olhares de desprezo e medo dos habitantes da terra, sua mão de unhas pretas retira um pequeno sino de prata da sacola, e o mendigo executa seu importante trabalho.
Com a vara em riste ele declama palavras antigas para tanger o sol no horizonte e com a outra mão, às suas costas, toca o sinete de prata que com seu som encanta a lua que segue o som cristalino... Pastor da noite! Assim termina o trabalho diário do mendigo, o ofício de afugentar o sol para que a noite chegue.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Infância Na Terra Do Sol

Fui criado no sertão nordestino, mais especificamente, no sertão alagoano, foi ali, naquele período que duas paixões se enraizaram em minha vida, e que nem o tempo se mostrou poderoso o bastante para apagar, o amor pelo povo e a cultura do meu sertão.
Meu sertão de paisagens tristes, de pessoas curtidas pelo sol, batendo em nossa casa com baldes para pegar alguma água de nossa cisterna, dos carros de boi que passeavam pelas ruas e que eu e meu irmão corríamos para, quando alcançá-lo, pegar uma carona até em casa. Das festas na praça, com parques de diversão antigos, da década de 40, conservados com várias “de mão” de tinta e muita graxa, das férias na fazenda do meu avô, onde escondido, ia comer na casa de Nega Lúcia, a cozinheira da família que mesmo não tendo muito para ela, dividia o delicioso feijão com farinha de macaxeira (talvez a sua mandioca) de seus filhos comigo, sua casa cheirava a algo mágico, o fogão a lenha era de uma beleza mística, as panelas de barro com o fundo preto queimado pelo fogo implacável da madeira eram simplesmente belas... Eu não tinha como não amar tudo isso! As casas “simples”, com parede e chão de barro batido, mantinham-se sempre asseadas e bem decoradas, recortes de revista, armários forrados com papel de presente, quinquilharias espalhadas em cada canto, tudo era belo para os meus olhos, e confesso que até hoje tento recriar, sem sucesso, este ambiente em minha própria casa, falta-me estilo.
As festas! A música faceira de um forró a muito esquecido, triângulo, zabumba, sanfona, as vezes um pífano, meu som preferido de menino! Até hoje, quando raramente o encontro, ele me faz sorrir aberto e minha mente me leva, de maneira saudosa, para a terra de barro seco e rachado, de sol a pino, que é meu sertão! As histórias contadas na calçada até tarde pelos mais velhos, histórias de quem “corria bicho”, fulano, filho de cicrano corre bicho em noite de lua cheia! Morria de medo desses lobisomens inventados.
As paisagens! O sol se pondo no horizonte pinta o céu de laranja lá no meu sertão! Nunca nascerá filho de homem, que não se espantará com tal beleza. O amanhecer claro, de uma luz nunca vista por quem é cercado por prédios e flerta com o asfalto. A beira do rio Ipanema, que em tempo de chuva, que é raro, abriga as mais lindas aves e as mais felizes lavadeiras. Meu sertão de todos os tons de terra!
Este meu sertão não pode ser comido pelo tempo ou modernidade avassaladora, esse povo não se esmorece com a fome e sede, ele permanece nos meus sonhos de menino...
Nasci na beira do mar, mas me batizei na terra do meu sertão!

Cadê a descontração?


Vocês devem estar se perguntando. Onde é que fica a descontração deste “yorick”. Realmente não ando tão descontraído. Isso por causa da vida que anda dura ultimamente, mas sou cheio de humor, tenho a veia da comédia pulsando em meus diálogos cotidianos, as vezes saio com cada uma! Hoje acordei assim, cheio de graça! Olhei no espelho e vi minha cara inchada de sono, que foi interrompido pelo chato despertador, observei a bolsa embaixo dos meus olhos, horrenda, mas nem liguei, mandei logo um beijo para meu reflexo e me chamei de gatão!
Aí saí do banheiro, fui preparar aquele cafezinho matinal, para acordar o resto das minhas células, todas viciadas em cafeína e tabaco, e só de sacanagem, me deparei com a mais nova edição da “bravo!” ainda não lida, toda roída no meio da sala, como se posta ali para eu ver, pela sacana da Valentina, minha cachorra, que orgulhosa de sua travessura, balançava o rabo em total felicidade, resolvi seguir seu conselho canino, nem me abalei, apanhei os restos da edição, repito, ainda não lida, e joguei no lixo, tudo isso na maior felicidade, quase um samba enredo!
Coloquei a chaleira no fogo, assoviando uma modinha antiga que diz “é tarde, eu já vou indo, preciso ir embora, até amanhã, mamãe; quando eu saí disse menino não demora em Jaçanã...”, sempre gostei dessa música, preparei o filtro, minha melhor caneca, e... Campainha, din don no pé do meu ouvido, olhei imediatamente para o relógio, eram horas de tocar na minha porta? Mas eu estava zen e animado, abri a porta, nada estragaria meu despertar feliz, é tão raro! “olha! Tá faltando água no meu apartamento!” diz a vizinha histérica da frente, em outro dia ela ouviria, “E eu com isso...”, mas hoje não, hoje eu estava feliz... “Ô meu amor, o que será? Espere, já vou ver, será que é o registro?”. Era!
Voltei para o meu apartamento, como é bom ser prestativo, feliz, eu estava quase um personagem demente da Disney, dali a alguns instantes meus cachorros ficariam em duas patas e juntos cantaríamos uma canção infantilóide... A chaleira!!!! Esqueci ela no fogo! Ufa! Ainda bem que não ferveu tanto.
Quando pensei que nada mais iria conspirar contra meu despertar descontraído, vejam! Acabou o café!
Mandei tudo pra PUTA QUE PARIU! Foi um desfile de Caralhos, Merdas e Cus...
Não tem descontração que aguente...

domingo, 4 de outubro de 2009

Eis me Fraco!


Sou tomado pelo exibicionismo.
Que germe é esse que se entranha por meus dedos, deslizando-os pelo teclado, revelando toda esta intimidade, as palavras são as impressões digitais da nossa alma, por que quero que a conheçam? A única resposta coerente é: Eu quero ser visto e entendido.
Esta é a faceta da minha vulnerabilidade, a afirmação do meu ego, ao ver o reconhecimento do outro, passo a reconhecer-me. Pessoas se tornam espelhos de eu mesmo, quero me ver nos outros, restaurar minha auto-imagem através de outros olhos, através de outras bocas ouvir minhas verdades, não quero ser sozinho.
A cada passo, olho para o lado tentando encontrar aprovação, e isso é uma dura afirmação! Precisar dos outros, ser de outro, querer ser domado!
Já passou a fase de achar que não pertencia a este mundo, eu pertenço a este louco lugar, não sou superior a ele, ele me fez, me moldou como se molda o ferro. Chega de camadas desnecessárias, quero ser mais raso, quero ser poço límpido onde se pode enxergar o fundo, quero ser leve e menos prepotente, menos audacioso, mais passivo, ser brisa fresca, não tempestade furiosa.
Eu conheço minha força, devo encarar minha fraqueza, ela pode ser bela...
Abaixo Nietzsche e seu super-homem! Já cansei de ser ele.

sábado, 3 de outubro de 2009

Da História ou O Homem Livro


Estamos em rota de colisão. E o que se choca de encontro a nós?
Histórias...
Sou um homem aberto aos encontros, já encontrei inúmeros “contos”, “ensaios” e “romances” nas esquinas da cidade. Alguns apenas esboços sutis, captados pela audição, e outros tão completos que dariam inveja ao mais hábil romancista.
Ontem fui expectador de uma novela. Duas mães com filhos no presídio conversavam despreocupadas aos olhares que as rodeavam, ingenuamente abertas, relataram a rotina de filas e de corruptos agentes carcerários. “Por causa de um celular!”. “O meu mulher, matou dois.”, “O seu sai quando?”, “Ainda tem dois anos, mas se o desembargador assinar ele sai antes. Um ano no máximo!”, “A pessoa fica doente naquele lugar. Não devia ser todo mundo misturado, devia ter lugar para ladrão, outro para assassino...”, “Qual é o advogado do seu?”, “Ah é muito bom esse aí, não fiquei com ele por que não tinha os 12 mil né?”, “Ele até chora quando defende a pessoa.”. e assim, em meio a lamúrias maternas, aprendi mais sobre a justiça, mais sobre os injustiçados e mais sobre as mães.
O escritor é um bicho oportunista.
As vezes, ao invés de mero expectador, sou fazedor de histórias, algumas tristes, como a do dia em que limpei o sangue da morte de uma pessoa, e vi o sangue escorrendo pelos meus dedos, descendo pelo ralo, e pensando em como a vida é uma merda sem fim. Outras, histórias de nascimento, como a de quando vi minha sobrinha despontar pelo vidro do berçário, seu semblante tão lindo e tão novo! Eu vivo a vida de histórias que contam morte e nascimento. Minhas histórias escrevem encontros.
Aos 14 anos tive um amigo louco de 50 e poucos anos que me apresentou aos melhores livros que eu já li, me presenteou com um amado volume de Dostoiévski, aos 17 encontrei outra irmã, aos 18 um amor. Escrevi sexo casual em ruas escuras, corpos e semblantes desconhecidos, e em quartos bem arrumados, ao som de belas músicas, recitei amor.
Nada disso é ficção. Na minha história a única coisa inventada sou eu.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Teatralizando...


Teatro é para palcos... Discordo totalmente com esta frase.
Teatro, entre muitas outras coisas, é a arte de dramatizar fatos da vida.
E um bom drama não machuca;
Exemplifica.
“Toda reflexão que tenha o drama como objeto precisa se apoiar numa tríade teatral: quem vê, o que se vê, e o imaginado. O teatro é um fenômeno que existe nos espaços do presente e do imaginário, e nos tempos individuais e coletivos que se formam neste espaço.”
Quem tem a capacidade de transmitir estas sensações, é no mínimo grandioso!
Sempre tive um fascínio sincero aos atores. A arte de interpretar é como uma auto-afirmação do amor próprio, um exercício de demonstração totalmente eficiente. O clichê nos ensina que a vida é como um palco, e eu, que sempre amei os clichês, acredito que a vida é sim, um bom palco para o teatro humano.
Por que não utilizar os recursos desta arte milenar? É uma característica presente na humanidade há tanto tempo!
Admiro todas as pessoas que se permitem ao exagero das emoções, a demonstração expansiva de seus pontos de vista, quem chora por seus amores, se entristecem com as mazelas diárias, aos que, com gestos, demonstram suas dores e alegrias.
Amo o expressivo e repudio o fleumático.
Sou partidário da exposição, admirador da “desobediência”, amante da revolução dos gestos!
Este é um post de resposta sim! Aos frios e não criativos.
É minha chance de fazer um drama.
E quem não gostar, que feche as cortinas...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O mundo da memória


Como será viver no mundo das lembranças? O que me conforta é que todos nós iremos saber. Envelhecer é uma das raras máximas da vida, é um privilégio de muitos, e a cada ano vivido, memórias acumulamos. É nos dado um presente, é incumbida a nós a função de guardiões da memória, viramos instantaneamente contadores de histórias antigas, portadores de poderosas fábulas que versejam sobre a vida. É dado o poder da ancestralidade! Todo homem busca sua identidade, seu paradeiro, e é nos homens velhos que nós a encontramos. São nos sulcos da carne que a história é derramada sem pudor, é na falta de dentes, no passo lento e na curvatura das costas que a presença da etapa mais misteriosa da vida é vislumbrada, a morte!
Talvez por isso que eles são temidos, observá-los é um confronto com a verdade.
"lembra-te homem que morrerás um dia", memento mori.
A vida é feita de exemplos, símbolos distribuídos em nosso cenário, encara-los nem sempre é agradável, mas é nescessário. Observar e conviver com a velhice é muito interessante, pode ser gratificante, não estou aqui pedindo para você neste dia do idoso abraçar (por mais que alguns adorariam) um velhinho ! Dia do idoso é todo dia, velhos existiriam sem esta data. Peço que o respeitem, que os veja como semideuses que são por terem vivido a vida, ora tão dura.
Nem todo velho é sábio, conheço alguns que são até risíveis, mas são cheios de coisa para contar. São metáforas ambulantes que caminham na mesma estrada que você, que irão primeiro para as “terras sem sol”, mas enquanto aqui estão, vivem em um mundo de lembranças e memórias da vida e do mundo.

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"O mundo dos velhos, de todos os velhos, é, de modo mais ou menos intenso, o mundo da memória."
Norberto Bobbio